quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Caro funcionário público, quer trocar?

Encontrei este texto no Expresso, concordo com tudo:


"Caro funcionário da República, hoje sou apenas o portador de uma mensagem do meu primo (sim, as bestas reacionárias também têm primos). O meu primo trabalha numa empresa que, como tantas outras, enfrenta imensas dificuldades. A hipótese da falência deixou de ser uma coisa longínqua e, por arrastamento, o desemprego passou a ser um cenário possível. E é assim há muito tempo. Há muito tempo que este pesadelo está ali ao virar da esquina. Portanto, a mensagem do meu primo começa assim: V. Exa. está disponível para trocar o seu vínculo-vitalício-ao-Estado por um contrato-ameaçado-pela-falência-e-pelo-desemprego? Quer trocar 12 meses certíssimos por 14 meses incertos?


Depois, o meu primo gostava de compreender uma coisa. Se a empresa dele fechar, ele cairá no desemprego e terá de procurar emprego novo. Mas se a repartição pública de V. Exa. fechar, o meu caro funcionário da República irá para o "quadro de excedentários". Por que razão V. Exa. tem direito a esta rede de segurança que mais ninguém tem? Porquê? Em anexo, o meu primo gostava de propor outra troca: V. Exa. está disponível para trocar a ADSE pelo SNS? Sim, porque o meu primo tem de ir aos serviços públicos (SNS), mas V. Exa. pode ir a clínicas e hospitais privados através da ADSE. Quer trocar? E, depois de pensar na ADSE, V. Exa. devia pensar noutro pormenor: a taxa de absentismo de V. Exa. é seis vezes superior à das empresas normais, como aquela do meu primo. E, ainda por cima, o meu primo não tem uma cantina com almoços a 3 euros, nem promoções automáticas. Mas vai ter de trabalhar mais meia-hora por dia.


Para terminar, o meu primo está muito curioso sobre uma coisa: das milhares e milhares de famílias que deixaram de pagar a prestação da casa ao banco, quantas pertencem a funcionários públicos? Quantas? Eu aposto que são pouquíssimas. Portanto, eu e o meu primo voltamos a colocar a questão inicial: V. Exa. quer trocar? V. Exa. quer vir trabalhar para uma empresa real da economia real que pode realmente entrar em falência e atirar os empregados para a realidade do desemprego? V. Exa. quer trocar a síndrome do funcionário público pela síndrome do desemprego?"

10 comentários:

  1. Eu continuo a dizer que concordo com as greves e todos os protestos que se têm feito por aí, mas não deixo de esboçar um sorriso meio irónico quando oiço algumas pessoas queixarem-se que este mês ficaram sem 50% do subsídio de Natal, por exemplo. Tomara eu, que não faço parte da função pública, ter perdido apenas 50% desse subsídio, era sinal de que ainda recebia os outros 50%. Mas não. Há mais de 6 anos que não vejo nem o de Natal e nem o de férias. E ele consta no recibo de ordenado. Ah e o ordenado! No dia em que receber o meu ordenado no dia certo e todo de uma vez, juro, organizo uma festança! É que também já não sei o que é ter um ordenado todo na mão p'ra aí há uns 6 anos. E receber horas extras? Nunca soube o que é. E ter direito a seguros de trabalho e coisas do género? Para mim, continua a ser uma utopia. Enfim... se olhasse para o meu recibo de ordenado e visse 50% do meu subsídio de Natal era mulherzinha para dar um pulo de alegria, juro!

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  2. Pois é Ana, infelizmente as pessoas não dão valor ao que têm e querem sempre mais apesar de muitas vezes não o fazerem por merecerem...

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  3. Desculpa lá o problema não é SÓ o funcionario publico....mas tambem a empresa onde o teu primo trabalha que não é seguramente a mais aconselhavel.....Este país está cheio de empresas de aviario que estam condenadas definitivamente ao fracasso e encerramento porque pura e simplesmente não tem lugar num mundo feroz e competitivo.
    Portugal em relação á Europa é o espelho dessa situação.Quem não se adapta MORRE é liquidado.As pessoas e ás vezes até os Paises.Não é esse o caso de Portugal que já cá anda a 900 anos a cantar o fado a comer sardinhas assadas e o belo tintol e sempre de xinelo no pé.Agora são os funcionarios publicos o bombo da festa.....temos pena...o problema é a ECONOMIA que não existe.

    ULaUla

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  4. Ora toma que j'almoçaste!! :p

    Eles são mais de baldrocas... do que de trocas!!

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  5. Não se esqueçam das muitas e muitas pessoas que, como eu, trabalham para a função pública, sem serem funcionários do estado e que, como eu, vivem todos os dias na corda bamba, com a hipótese de se irem embora a qualquer momento. No meu caso e indo um pouco mais longe, no último contrato que me fizeram, desceram-me o salário em mais de 10% (e não, não tenho um salário elevado, mas abaixo da média para pessoas que fazem o memso que eu no privado), para fazer exactamente o mesmo e, se continuar a trabalhar no mesmo local onde estou, a partir de 2012, embora não esteja efectiva e seja uma simples contratada, perderei também os subsídios, para pagar a crise que não é só minha, é de todos nós. O estado é o principal a infrigir as regras e há imensas pessoas a trabalharem precariamente, ou com contratos mais curtos, com interrupções pelo meio, que nem sequer têm direito a sub. de desemprego. E há tantas situações mais que poderia relatar aqui...

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  6. Não gosto de ser contra nenhum trabalhador, mas toda a gente sabe que os funcionários públicos têm imensas regalias... a partir do momento em que entram no sistema, nunca mais saem.

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  7. Olá!!

    É a primeira vez que "te comento" e terei de ser pejorativo, mas no meu trabalho ligo imenso com "vertentes bem exemplificativas da função pública" e esse texto, não começa nem a destapar o problema!!

    Simplesmente subscrevo, para não me alongar mais!

    Beijinho*

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